Nós, na Páscoa

Um ano diferente, mas a mesma perseverança

Nós, na Páscoa!

Muitos de meus leitores e alunos sabem que sou uma pessoa que ama tocar fundo na alma de quem lê minhas linhas. Persegui, com fé e audácia, o sonho de me tornar escritor, inventor de histórias para povoar o imaginário das pessoas.
O primeiro livro que escrevi, em 1998, foi o famoso “O Senhor da Chuva” que veio a se tornar meu terceiro livro publicado, o segundo a ser lançado pela editora Novo Século, lá atrás, em 2001.
Por conta da temática de “O Senhor da Chuva”, recheado de anjos e demônios em sua trama atrás de uma alma que buscava se redimir, muitos leitores chegaram a pensar que eu era um autor de doutrina evangélica. Não sou nem um pouco evangélico, no sentido de ir a igreja, católica ou protestante, Bola de Neve ou Lagoinha. Eu só acredito que existe uma força maior, absoluta em nosso universo, mas não creio numa figura que convoca a obediência através do medo e que saiba o CPF de cada brasileiro ou que fez Marcos em sua viagem para Austrália para se encontrar com Jess, uma pessoa que ele conheceu pelo aplicativo.
Não obstante, talvez até paradoxalmente, sou um homem de fé. Tenho fé e acredito que a fé é uma das coisas mais belas do enigma humano.
Também é raro eu expor esses meus pontos de vista sobre religião que acionam dispositivos de fúria parecidos quando falamos de futebol ou política, mas gosto de lançar positividade aos meus leitores, meus alunos e seguidores e hoje é um dia especial no calendário de muitas crenças, hoje é o domingo de Páscoa num momento muito excepcional e nossas vidas. Essa páscoa está em cada lar dessa rocha flutuante nesse exato momento em que você lê essas linhas.
Ampliar a fé, a cordialidade e entender que a pessoa sentada ao seu lado, com quem você convive há anos e que pode estar descobrindo só agora quem essa pessoa é, é uma necessidade intrigante.
Sobre a fé, acredito que uma das coisas mais tristes que podemos fazer é apagar essa centelha mágica que depois se torna uma labareda que incendeia nossas almas e faz com que a gente se mova rumo a qualquer objetivo e que acredite que essa Força universal está andando conosco, (olha só!) num ato de fé não deve ser nunca desconstruída. Temos que ter fé em nós, por nós e, algumas vezes, emprestar nossa fé para o próximo.
Logo eu acho plausível e justo que todos os deuses e deusas que cada cultura ancestral fez germinar em seus pequenos bandos na aurora dos tempos, quando havia ainda muita escuridão e essas tribos, bandos, primeiros vilarejos, precisavam de respostas que ainda não chegavam da especulação e do estudo científico… eles precisavam criar uma razão para que certos fenômenos se manifestassem não só para criar sua fé como para passar essa centelha de crença de que alguém que vivia eternamente lá em cima, que vinha da mata, das árvores e da Natureza, ou mesmo nas entranhas da Terra, cuidava da gente. E seguiam com fé, acordavam um dia após o outro fazendo preces as suas divindades e encontrando conforto para seguirem em frente e cá estamos.
Apesar dessa introdução longa, não é sobre mim esse texto, é sobre nós. Nós todos que viajamos a bordo dessa nave imensa, dessa rocha esférica que um dia foi medida por um homem genial usando uma vara e a sua sombra para determinar a circunferência do nosso planeta, da nossa casa (que andamos maltratando um bocado já faz tempo).
É um texto sobre a nossa fé conjunta que nos une mais uma vez, de forma que nunca vi unir e nos igualar antes.
Escrevo essas linhas porque tenho fé que amanhã todos que gostam de escrever também escreverão mais. Quem gosta de jogar vôlei, jogará mais. Quem quer fazer gastronomia, fará. Quem ama pular na rave, vai pular de novo pertinho daquelas caixas ensurdecedoras. Quem sonha em ter uma lojinha, vai conseguir.
Seja qual for a sua religião, seja qual for o bem vindo deus ou deusa a que devota suas orações, suas preces, persista, continue acreditando. Estamos aqui, no mesmo planeta, vivendo o mesmo confronto.
A humanidade já foi fustigada antes e, apesar da dor, muitas vezes esses resultados retumbantes da Natureza nos levou a evoluir, a sermos mais resistentes e resilientes. A termos fé e razão para darmos o passo seguinte. Diferente do passado, hoje o que acontece na Austrália, com Marcos que foi procurar Jess, pode ser visto ao vivo, mas hoje, nessa Páscoa, data tão energética e tão simbólica, não assistimos uma história de amor. Assistimos, via links de internet, vídeos de celulares, nosso mundo se resguardar em suas casas, muitos com medo, mas também um número infinito e grato de pessoas que sabem que esse isolamento é estratégico e necessário, e, por isso, hoje muitos terão um almoço de Páscoa muito diferente, com um celular na cabeceira da mesa, com suas câmeras e microfones acionados, com rostos de entes amados do outro lado de qualquer lugar nesse planeta.
Essa mensagem que escrevo agora é só para dizer “Boa Páscoa”. Espero que tenham um dia brilhante e crentes de que amanhã tudo pode acontecer, inclusive, melhorar.
A fé, que é tão bela, me parece que nunca foi tão necessária num mundo tão conectado.
Continue com fé. E em suas preces, arrume alguns minutos para agradecer também por aqueles que não poderão hoje desfrutar do almoço de Páscoa, porque estão exaustos em hospitais do mundo inteiro, no front dessa batalha mundial, dando alento, remédio e lutando com toda fé do mundo pelos que estão enfermos, sem vacilar em desempenhar seu papel. Dirijam hoje sua fé e seus pedidos não apenas para sua família, mas para a família de toda a cadeia de profissionais que precisam ir para as ruas e para os hospitais (muitos com muito medo, mas com fé de que estão fazendo o que é certo, e a fé deles é tão forte que transmuta o medo em ação e agir é algo corajoso!) para que nós possamos estar dentro de casa nesse momento.
Tenha fé. Venha ela de onde vier. Tenha fé. Amanhã, como disse antes, pode ser tudo, inclusive, melhor.

Com amor, de um escritor de livros assombrados de Osasco,

André Vianco Silva

Eventos chegando agosto e setembro 2019


25 DE AGOSTO
2019

São Paulo SP: “Tocando o Terror”!


Dia 25 de agosto passo no SESC Santo Amaro para um bate-papo, às 16 hs. A temática da mesa não podia ser mais apropriada: “Tocando o Terror!” ao lado dos queridos colegas Raphael Fernandes e Santiago Nazarian


Onde:

SESC Santo Amaro, São Paulo, SP.


07 e 08
SETEMBRO

Rio de Janeiro RJ: Bienal do Rio


Subo no aviãozinho de novo e dias 7 e 8 de setembro estarei na Bienal do Rio de Janeiro.

Atenção para os encontros durante a Bienal do Rio

Dia 6: às 16 horas – Bate-papo no Stand da Amazon

Dia 7: às 19 horas – Noite de autógrafos no estande da Lura

Dia 8: às 15 horas – Bate-papo na Arena Sem Filtro

Espero vocês, meus leitores cariocas por lá!


Onde:

RIOCENTRO – Jacarepaguá.

16 SETEMBRO 2019

Penápolis SP: Viagem Literária


16 de setembro vou ao interiorzão do estado de São Paulo, visitar meus leitores da cidade de Penápolis, um encontro matutino na Biblioteca Municipal, às 9 horas da manhã.


Onde:

Biblioteca Municipal de Penápolis


16 SETEMBRO 2019

Ubarana SP: Viagem Literária


 No mesmo dia, 16 de setembro, estarei em Ubarana, às 15hs, participando do programa Viagem Literária. Leitores da cidade e região não percam esse encontro por nada.


Onde:

Biblioteca Municipal de Ubarana SP


17 SETEMBRO 2019

Araçatuba SP: Viagem Literária


Dia 17 de setembro é a vez de Araçatuba, às 15 hs, na Biblioteca Municipal também, para uma conversa descontraída, tempo para autógrafos e fotos (fiquem tranquilos, em todos os encontros eu faço esse charme).


Onde:

Biblioteca Municipal de Araçatuba SP


MAIS EVENTOS SERÃO POSTADOS AQUI EM BREVE !

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Final de Semana com Bienal, Dia dos Pais e coisas para pensar.

Olá, leitores!

 

 

Boas novidades!

 

Estarei na Bienal do Livro nos dias 11 e 12 de agosto.

 

 

Fui convidado pela Amazon KDP para mediar uma mesa com autores independentes. Uma das minhas paixões é ensinar aos novos escritores como conquistar o coração e a mente dos leitores e para mim será um prazer me juntar a esses talentos.

 

O evento da Amazon será no sábado, dia 11, e começará às 14hs. O painel promovido pela Kindle Direct Publishing tem o nome de “Criando seu próprio mundo: escrita e publicação de fantasia”. Então, se além de meu leitor, você gosta de escrever fantasia e tem vontade de entender mais sobre a plataforma KDP da Amazon e como ter êxito publicando no meio de seus algoritmos e listas, vem conversar com a gente.

 

Já no domingo, dias dos pais, estarei às 13h30, na Arena Cultural (agora como convidado!) conversando sobre a arte de escrever Terror e Fantasia no Brasil.

É claro que estarei muito bem acompanhado pelos queridos autores Felipe Castilho e Leonel Caldela e pela bem-vinda (e debutante no palco da Bienal de SP!) a escritora Day Fernandes, vindo direto de Brasília, para compartilhar conosco o que ela tem criado.

A mesa será mediada pelo legendário Daniel Lameira, que além de um profissional impressionante com quem já tive o prazer de trabalhar é a gentileza e sagacidade em pessoa e, de quebra, um grande amigo.

 

Olha, eu sei que é dia dos pais e tudo mais, e é por isso mesmo que ficarei particularmente ofendidíssimo se você não for, afinal de contas, meus leitores e leitoras são meus filhotes também! Pensa num presente para esse papai dos vampiros de Osasco?!!!

Venham para esse encontro com direito a fotos e autógrafos logo após o evento.

Compromisso marcado, te espero lá!

Mais detalhes aqui no link da Bienal do Livro de São Paulo: http://www.bienaldolivrosp.com.br/…/6…/Literatura-fantastica

 

Beijo para quem é de beijo, abraço para quem é de abraço e nos vemos lá, na Bienal de SP.

 

André

Hey, Astronauta!

 

Hey, Astronauta!

 

 

 

Ei, astronauta, liga o rádio ai um tiquinho. Eu tou do outro lado da nave e quero fazer uma transmissão.

A nave está perdida, mas está tudo bem. Uma coisa que aprendemos primeiro no treinamento específico para cruzar as estrelas e testemunhar a grandeza do Cosmo é que assim que ligamos os motores e partimos do espaço-deck, a nave já sai perdida. Em nosso mundo de jargões de comandos e de decisões que implicam em cálculos de velocidade e distância, em minimizar perdas, não computamos mais as toneladas de aço e ligas metálicas extraídas das entranhas da nossa Terra-Mãe. Aquilo vira outra coisa. A coisa que vai para Andrômeda

Um brinde à você astronauta.

Toneladas.

Andrômeda está vindo mesmo, vindo quente, falaram em 230 mil quilômetros por hora, astronauta… a gente move a essa velocidade também dentro dos limites da Via de Leite. Então, a qual velocidade a nave se move agora? Eu faltei nesse dia do treinamento.

A nave está perdida, mas, astronauta, sorria, queixo erguido, essa nave nunca foi nossa de verdade. Temos nossos trajes pesados e grossos e os capacetes que, quando precisamos, travamos e encalacramos dentro dessa coisa vistosa e reluzente tudo o que é necessário para continuarmos respirando. As vezes, astronauta, lembra do treinamento, só precisamos respirar. Pode estar difícil, mas respirar não é só tecido e nervos, capilares receptores e transformação de moléculas… respirar é preciso.

Ontem captei ruídos vindo de Andrômeda. Eram vozes diferentes. Vozes estranhas. Elas falavam de você astronauta. Falavam coisas que eu não queria ouvir. Levantamos nossos copos lá no deck do bar. Cheers! Cheers up! Ainda que seja egoísta, quando estamos escondidos no deck do bar, no cantinho escuro da nave, com nossos rádios ligados, captando risadas e aglomerados de estrelas que nos enviam sinais de bonança… estamos meio que rancorosos porque os astronautas querem ir embora. Somos crianças às vezes. E não vou pedir desculpas por isso, astronauta, lamento, mas não quero virar essa coisa para mim e nem para o seu engenheiro, o papo não é sobre a gente, mas só sobre nosso desejo de que você fique em paz e saiba que os botões estão verdes, a nave segue firme. Vai balançar no cinturão de asteroides, mas os diabos dos arcaicos, porém eficientes, giroscópios estão ai para que? Eles vã fazer o trabalho deles.

Levanta a cabeça. Todos os botõezinhos aqui estão no verde e você treinou uma equipe maravilhosa capitão. Eles farão o seu melhor, mas eu não duvido, nem por um segundo, que quando o primeiro alarme tocar, capitão, seu pequeno e treinado astronauta engenheiro número 2 da sua equipe saberá o que fazer.

Astronauta, falamos lá dos nomes que gravam no patch em nossos peitos, e rimos muito de tudo isso porque Andrômeda está vindo e esses nicknames tolos, esses avatares de quem somos ou queremos ser, gravados fundo em nossos uniformes são tão bestas, não é? Olha a distância. Vai demorar ainda. Andrômeda está longe, longe, mas é inexorável. Ela chegará e pronto. E não se preocupe com o choque de átomos. Os átomos se chocam o tempo todo, astronauta. Eu não faltei a essa aula. Astronauta, faz o seguinte… O nome que gravaram no patch do seu uniforme está com uma letra invertida. Não pense nisso. Feche o capacete, desligue os receptores de voz sintética. Apenas as vozes da sua equipe chegarão ai dentro se você quiser, nesse casulo do bem que vai lançar oxigênio ao seu redor. Tá, você vai ficar isolado e com frio, vai lembrar do dia em que você nasceu e também do dia que lhe disseram sobre Andrômeda e quando puseram a porra toda dessa nave, rangendo, sem a gente entender direito como segurava o manche, tocando a zilhão pelo tecido negro do espaço sideral, a milhão. A gente nunca presta atenção na primeira aula de Andrômeda e isso não é uma bronca, astronauta. Você já se fechou no seu módulo de brilho, imponência e suporte de vida. Se quiser saltar no escuro e experimentar como é estar lá do lado de fora da nave, ok. Você é o chefe aqui.

Conversa comigo, astronauta. Quando eu visitei sua cabine pela primeira vez eu tinha o quê? Seis anos, e ainda não eram sete. E falamos sobre palavras e eu ainda não sabia dizer sobre o que eu gostava, mas eu gostava de falar e, de alguma forma esquisita, quando falamos as palavras se enfileiram numa cadeia e deixam nossa boca batendo em moléculas e, elas já têm significado dentro de nós, as jogam ao mundo uma mensagem, a merda é que essa mensagem vibrante que rasga a distância e atinge os tímpanos deveriam atingir a pele primeiro… e eu falei que a nave devia pesar muitas “torneladas”. Você riu muito aquele dia, astronauta, até chorar. Você e o seu engenheiro, membro número dois da equipe porque eu sempre contei os co-pilotos como número 1. Vocês riram de mim porque eu disse “tornelada” e então fizeram a coisa mais sublime que existe na vida de um astronauta que também está dentro da nave que vai para Andrômeda. Você me ensinou uma nova palavra e que “tornelada” era tonelada e quando enxugou as lágrimas dos olhos, parou grave, em frente a mim, com seu uniforme reluzente, cheio de leds acesos e fios e canos e se ajoelhou bem ali na minha frente mesmo, tocando o chão de cacos de azulejo da nave e botou a mão no meu ombro e explicou, seríssimo, o que tonelada significava. Além do tonel, que eu nunca ia entender naquele momento, tinha também a coisa de não existir R no meio, a capacidade que dava para um comandante determinar como o motor ia se comportar com a movimentação de tanta massa, e chegamos pela primeira vez às dracmas (que me fascinam até hoje, astronauta). Nem você e nem eu sabíamos que ia me alimentar de palavras por um longo tempo e que, algumas vezes (olha, isso não é uma queixa não, os astronautas tem um montão de coisas para fazer) tudo o que eu tinha para estofar meu uniforme em noites de treinamento e incerteza eram novas palavras que recebia quando abria as antenas do meu radar.

 Você é um astronauta incrível. Foda-se Andrômeda. Eu nunca ligo para a velocidade de Andrômeda, mas hoje eu fiquei com raiva, a canjica estava ótima, os nomes faltaram letras nos trajes espaciais. No treinamento ensinam muito como a raiva é uma coisa que se esparrama e que não podemos trazê-la para dentro da nave. My bad.

Hey, Astrounata. Você é incrível e sua jornada até aqui tem sido muito boa.

Tears. Tears up!

Te amo meu amigo. Liga a porra do oxigênio e respira e olha para a sua equipe e explica parar eles o que é o caralho de uma tonelada nas costas.

Nos vemos em Andrômeda. Fim da transmissão.

Nem Santa Rita da Cassia irá protegê-los na próxima quinta, em Paraty!

Gente!

 

Achei meu lugar na Flip. Teremos lá uma casa bem sangrenta, da nossa querida Santa Rita da Cassia.

 

O tema central da minha noite será o Terror na Flip, quinta-feira, dia 26 de julho de 2018, começando às 18h30. Só que o Terror vai rodar até tarde por lá. Tem uma tag imensa na entrada do evento dizendo que é proibido para menores de 18, ou seja, é 18+, conteúdo impróprio, quem avisa, amigo é.

 

 

Ele está aqui esperando por você.

 

Na mesa em que participo, Terror na Flip, estarei muitíssimo bem acompanhado dos parceiros e guerreiros desse mundo das sombras, Raphael Montes, o diretor Marcos deBrito e o também escritor e diretor Alessandro Thomé e a lenda da provocação do mundo literário Delfin.

Não vejo a hora de botar pra arrepiar ao lado dessas feras.

Venham para a FLIP, Paraty é sempre uma delícia, e conversar sobre a arte e o fazer da literatura de terror e horror vai ser um arrepiante!

 

Endereço: Rua Doutor Pereira 396, Paraty-RJ.

Vampiros, facas, sublime e teclando com sangue na ponta dos dedos.

Apaixanado pelo Terror.

Uns dizem que o que separa o Terror do Horror, são, a grosso modo, essas letra “T” e esse “H”. O T vem do fantástico, das criaturas inventadas, e o H, vem daquela mal proporcionaod pelo próprio, causado pelo homem que se sente capaz de acabar com outro, muitas vezes, por prazer.  Terror são as assombrações, os lobisomens, as mariposas gigantes que engolem cabeças de caminhantes desavisados, dragões que mergulham das nuvens e destroem vilas inteiras com um suspiro de fogo ou gelo. O horror dá mais medo. Da mais medo porque é uma pessoa pegando uma faca na cozinha e subindo um lance de escadas e nos damos conta aquela lâmina foi afundada na garganta de seu irmão mais velho. 

Eu sou um apaixonado pelo Terror. Apaixonado por inventar histórias de seres que extrapolam a nossa camada humana e se tornam algo superior ou inferior. Existe ai o sublime, qu é a casa das criaturas encantadas.

Todo esse preâmbulo foi para  desculpar essa minha longa ausência aqui, participando, comentando e conversando ativamente com vocês porque essa minha cabeça, apesar de grande, é uma só e dela sou escravo e a ela submisso quando fico lendo mais e fico inventando cada vez mais mundos para vocês. 

A vez é da “As crônicas do fim do mundo 2” que sairá em muito breve pela editora Leya.  Estou inebriado com os personagens e estou refinando suas missões para estar seguro que entregarei a vocês uma experiência surreal e um abraço das trevas, daquele jeito que eu sempre trago nos meus livros. Memento Morri, meu bom amigo, sempre ao meu lado, dando um tapinha com sua mão fina no meu ombro e dizendo: É, não deixa esse povo esquecer.

Logo logo volto com mais comentários de “As crônicas do fim do mundo” e todo o terror e toda a força de viajar na mente das pessoas que viveram essa mimética forçada de um mundo que se acaba e que entrega como possibilidade a coixistência com os vampiros.

Fora tudo isso….  eu invisto minhas manhãs para escrever literatura. É quando minha alma e meus poucos rituais de escritor e da minha porção artista se manifestam. A casa está quieta. Apenas os bichos adando pelos cômodos e pelo quintal. Eu em silêncio e minha mente mais amiga, pensando poucuo no mundo lá fora, depois dos portões e conivente comigo em estar aqui. Criando para vocês enquanto ligo a mangueira e água as plantas, os pimentões a hortinha. E depois sento em minha sala e escrevo.

Acontece que depois do almoço minha mente viaja, gira uma chave, que vai para a dramaturgia. São artes primas de segundo grau, em lá o meso sangue, mas se odeiam. Ambas atreladas as palavras e a recriar experiências para vocês que são apaixonados também por histórias, mas tessa manina de primas, que antes de sair querem se empetecar e uma quer ser mais bonita e mais atraente que a outra (uma tremenda besteira, elas são tão gatas, cada uma a seu jeito!). 
Mas namorar a dramaturgia é só para os fortes. É outra vibe. Éoutro idioma. Tem um pouco de BDSM. Você tecla com   agulhas nas pontas dos dedos e drena tudo o que você sabe que é sua mente. E é uma delícia ser surrado desse jeito.

 

 

 

Esperem, meus amores. Vai ter audiovisual do André Vianco, sim. Já está em andamento. Já está acontecendo e logo, graças às energias do universo,  teremos nossos vampiros e esse meu mundo que procura entender o que é esse nossa experiência de existir.

Você pode não acreditar em vampiros. Pode não acreditar em fantasma. Pode não acreditar em fadas. Mas não dúvide do quanto amo escrever cada linha para você.

Darkside mandando muito bem mais uma vez.

A Darkside é uma das editoras mais sintonizadas com o novo leitor. Eles não entregam apenas livros, mas entregam verdadeiros presentes e uma experiência a ser vivida enquanto se lê a obra.

Prova disso é a fantástica edição de Amityville. Aquele tipo de história de fazer a gente se cagar de medo e que habita até hoje o imaginário de muitos da geração de 70.

Amityville vale cada centavo e o deleite de cada página “desenhada” para que esse livro viesse assombrar a todos nós.

 

 

Bright: Quando Dia de Treinamento encontra O 5º Elemento

A Internet é mestra em causar, e lá está Bright na berlinda, recebendo tomates podres voadores na testa ou sendo aclamado e ovacionando por outra banda.

Bright é mais uma aposta espetacular e vencedora da Netflix que entrega ao mundo o que o mundo quer. Temos no filme dirigido por David Ayer (ainda que Esquadrão Suicida não seja uma boa lembrança para quem gosta mesmo de histórias bem contadas) que é muito envolvente.

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De largada temos coisas muito boas para se dar crédito como a criativa mistura de gêneros narrativos e a escolha de entrar “ongoing” num mundo rico em fantasia e com sua cosmogonia bem cuidada, percebemos nas camadas mais profundas que tem muita história para se contar e não me espantaria que o longa fosse só a plataforma de lançamento de uma longa série. É tanta informação nas entrelinhas que a gente fica tonto com as possibilidades, mas estamos presos ao roteiro de cento e dez páginas para um filme de uma hora e 15 minutos, onde cada linha conta e cada minuto de produção custa caro (orçado em US$ 90 milhões de dólares, cada minuto na tela custou então US$ 750.000 e cada segundo de arte exige US$ 12.500) os roteiristas tem que saber muito bem o que vão escrever (cada suspiro de orc pode custar uns US$ 9.000,00 fácil!). Dai, voltando ao crédito da largada para não perder o fio da meada, o roteirista Max Landis, já sai quente (ongoing, como disse), sem explicar muito de onde veio aquele mundo onde humanos, orcs, elfos, fadas, centauros e todo esse kit da fantasia europeia fornece aos trabalhadores de imaginar, nos colocando direto no banal da vida de Ward, um policial que, depois de cumprir uma licença por tomar um tiro no peito e sair vivo, volta ao trabalho ao lado seu parceiro indesejado, Jakob, um orc. Não “um” orc qualquer. É o primeiro orc policial, detestado por toda a corporação, exilado por seus semelhantes de raça, abaixo em todas as cadeias sociais dos humanos e fantásticos. Isso já dispara o discurso da obra (como Blomkamp faz com maestria em suas ficções maravilhosas como Chappie e Distrito 9) que é a discriminação das minorias mágicas em Bright. Os elfos, donos do dinheiro, dos cabelos lisos e de toda a fleuma no filme, são meio que os WASP enquanto “todo o resto” luta para defender o seu pão naquele mundo miscigenado com cores e diferenças que ganham relevo em cenários que seriam pitorescos se não fossem tão comuns no nosso dia a dia de “alternativos marginais do mundo”. Em cinco minutos já estamos inseridos nessa peça Noir, Fantástica, Kitchen Sink Drama e é uma DELÍCIA.

Há ali vapores poderosos de Dia de Treinamento, afinal de contas é a velha história de parceiro novo, parceiro velho e vivido, diferente de Denzel em Dia de Treinamento, O policial Ward, vivido por Will Smith é o contrário do caráter torto do primeiro. É justamente sua retidão, sua impossibilidade de andar fora do livro de regras que o coloca em maus lençóis quando atendem a um chamado que os colocam diante do evento incitante dessa jornada onde os dois amigos sairão transformados. A máxima proximidade se dá na cena do pai orc inciando o filho orc no mundo das gangues, mas não vou dar spoiler aqui, não sou desses.

Quando surge Chica, a elfa, é a chegada de Leeloo Dallas (multipassss!), o “perfect beeing” à obra. Existe muita visitação a tudo que conhecemos de bem feito no fantástico e no drama e veja bem, estou dizendo que existe visitação atávica, de nossa memória, não estou dizendo que são homenagens e muito menos cópia. Não me espantaria muito que o mundo do Big Data onde Netflix, HBO GO, Prime Vídeo nadam não entregasse um bilhete com uma série de lembretes para os produtores e roteiristas levarem em consideração antes de darem o azeite final no roteiro.

Bright, como o título em inglês sugere, é um filme que tem seus momentos brilhantes. Na minha humilde opinião o roteiro erra de forma poderosa em dois momentos, em dois pontos nevrálgicos, mas a fluidez narrativa não se compromete e, para quem está assistindo com um saco de pipoca na frente, com os olhos brilhantes e prendendo o fôlego esperando a “página virar” não vai estar nem ai para esses deslizes, sério.

Vale muito a pena assistir essa boa mistura de gêneros, como disse, é um NOIR FANTÁSTICO, com um drama bem urdido e é uma alegria ver a fantasia tão bem representada nas telas trazidas pela nosso, por hora, benfeitora Netflix.

Quando o nosso querido Brasil vai acordar para o Fantástico Jovem Adulto no audiovisual? Não sei. Só com uma varinha de condão para abrir a cabeça das produtoras que ainda estão fechadas, assustadas e quietinhas no seu cantinho esperando mais uma linha de crédito do governo para salvá-las.

Mais eventos!

Olá, leitores!

 

Fim de ano chegando e essa semana ainda tem mais dois eventos para nos encontrarmos.

Dia 8 estarei na ComiCon 2017, farei parte de um painel com o amigo Affonso Solano. Venham e não percam esse encontro épico para criar mundos fantásticos ao vivo.

 

Já no dia 9, no sábado, às 16 hs, estarei na livraria Saraiva de Campinas-SP, no Shopping Iguatemi. Será meu último evento do ano. Aproveitem, é pertinho de SP, Vinhedo e Judiaí.

Tragam seus livros e venham bater papo comigo.

 

 

 

Book Tour Penumbra 2017

Queridos leitorxs! Seguem as datas e locais das próximas sessões de autógrafos para Penumbra.

 

04  de novembro – RIO DE JANEIRO – Livraria Saraiva do Shopping RioSul. – 16hs.

09 de novembro – CURITIBA – Livrarias Curitiba Shopping Palladium – 19 hs.

11 de novembro – SALVADOR – Livraria Saraiva Shopping da Bahia Iguatemi – 16 hs.

23 de novembro – OSASCO – Livraria Saraiva Super Shopping – 16 hs.

02 de dezembro – BRASÍLIA –  Livraria Saraiva Park Shopping – 16 hs.

09 de dezembro – CAMPINAS – Livraria Saraiva Shopping Iguatemi – 16hs.

 

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Pintando novidades eu aviso aqui. Venham pegar seus autógrafos, bater um papo com seu autor favorito e conhecer Penumbra. Esse livro está um encanto.

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